A temporada de inverno tem revelado um fenômeno recorrente, mas que exige cada vez mais atenção: a presença de pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) nas praias do litoral do Rio de Janeiro. De acordo com dados divulgados até o dia 16 de julho de 2025 pelo Instituto BW para Conservação e Medicina da Fauna Marinha (IBW), já são mais de 50 ocorrências apenas no Norte Fluminense, com mais de 100 registros em toda a região, incluindo a Região dos Lagos.
Essas aparições fazem parte do ciclo migratório natural da espécie, que se reproduz entre novembro e janeiro nas águas frias da Argentina e do Chile, migrando entre março e setembro em direção ao norte, utilizando a costa brasileira como rota. No entanto, muitos desses animais acabam chegando às praias brasileiras em estado debilitado, desidratados, com hipotermia e necessitando de cuidados veterinários especializados.
“Iniciamos a temporada com grande atenção e dedicação. Muitos dos pinguins que chegam às praias precisam de atendimento imediato. Reforçamos a importância da colaboração da sociedade nesse processo de resgate e preservação”, afirma a médica-veterinária Paula Baldassin, vice-presidente do Instituto BW.
Monitoramento e cuidados
O Instituto BW atua na linha de frente da preservação, através do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo (PMP-BC/ES), exigido pelo licenciamento ambiental federal do IBAMA. Quando encontrados vivos ou mortos, os pinguins são resgatados ou submetidos a exames de necrópsia, que ajudam a compreender melhor os impactos ambientais sobre as espécies marinhas migratórias.
O que fazer ao encontrar um pinguim na praia:
Ligue para o número de resgate: 0800 991 4800;
Não toque no animal e mantenha distância;
Não devolva ao mar e não use gelo ou caixas térmicas;
Isole o local até a chegada da equipe especializada;
Se possível, mantenha o animal à sombra, caso esteja vivo.
O trabalho do Instituto BW é essencial não apenas para o salvamento imediato, mas também para a construção de estratégias de conservação e pesquisa científica. A participação da população é fundamental para garantir que esses pequenos viajantes encontrem apoio e sobrevivam à difícil jornada pelas águas do Atlântico Sul.



