A revelação sobre a cobertura de luxo onde o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, passou a morar ganhou novos desdobramentos e trouxe à tona uma complexa rede de relações políticas envolvendo ex-integrantes do governo estadual, nomes ligados à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e personagens que tiveram passagem por gestões anteriores do estado.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o imóvel é formalmente registrado em nome da empresa J3 Real Estate, controlada pelo advogado José Mauro de Farias Júnior, ex-secretário estadual de Transformação Digital durante a gestão de Cláudio Castro. A cobertura, localizada em área nobre da capital fluminense, foi adquirida em 2023 por R$ 3,5 milhões, em pagamento à vista.

A reportagem aponta que Mauro ocupou uma secretaria que movimentou cifras expressivas no orçamento estadual e teve forte influência dentro do governo. O ex-secretário também recebeu homenagens da Alerj durante o período em que esteve à frente da pasta.

As conexões políticas se ampliam quando surge o nome de Rafael Thompson de Farias, irmão de Mauro. Ele atuou como chefe de gabinete do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e também teve passagens por governos anteriores ligados ao ex-governador Sérgio Cabral e ao grupo político de sua família.

De acordo com a publicação, Rafael Thompson trabalhou na Casa Civil durante o governo Cabral e posteriormente ocupou cargos estratégicos na administração estadual. Nos últimos anos, também exerceu funções ligadas ao grupo político de Rodrigo Bacellar, que atualmente enfrenta investigações e desdobramentos judiciais relacionados a operações da Polícia Federal.

A reportagem ainda destaca que, apesar da proximidade política registrada ao longo dos anos, a relação entre Bacellar e os irmãos Farias teria se desgastado a partir de 2023, período em que contratos da área de tecnologia do governo estadual passaram a ser alvo de questionamentos e debates na própria Assembleia Legislativa.

A defesa de Cláudio Castro afirma que o ex-governador reside no imóvel na condição de locatário e que o aluguel pago gira em torno de R$ 10 mil mensais. A cobertura também foi alvo de buscas recentes durante investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O caso amplia o debate sobre as relações entre agentes públicos, ex-integrantes do governo estadual e figuras influentes da política fluminense, em um momento de forte turbulência institucional no Rio de Janeiro.

Fonte: O Globo / Tribunal do Sertão
Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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