Uma onda preocupante de ataques a espaços religiosos vem ganhando força em Campos dos Goytacazes e região. A recente invasão e depredação da Igreja Nossa Senhora da Lapa, no Centro da cidade, acendeu um sinal de alerta para o que não tem sido um caso isolado. De acordo com a Diocese de Campos, ao menos 30 ocorrências de furtos e vandalismo contra igrejas católicas foram registradas nos últimos cinco anos em Campos e municípios vizinhos do Norte e Noroeste Fluminense.

O cenário se agrava quando se observa também os constantes ataques a terreiros e templos de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. Além de furtos e incêndios criminosos, os espaços são alvo de símbolos de ódio, pichações e ofensas que carregam traços explícitos de intolerância e racismo religioso.

Para o subsecretário de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Campos, Totinho Capoeira, os casos vão muito além de delitos patrimoniais. “Estamos falando de crimes com motivações racistas e religiosas. Ataques a terreiros e casas de axé são frequentes e, na maioria das vezes, não têm a devida investigação. Isso reforça a impunidade e perpetua o preconceito”, afirma.

Segundo ele, a intolerância religiosa, especialmente contra práticas de matriz africana, é reflexo de um racismo estrutural enraizado na sociedade. Totinho também chama atenção para o papel de líderes políticos e religiosos na perpetuação do ódio. “Quando alguém com influência demoniza religiões afro-brasileiras, ainda que disfarçado de opinião, está colaborando para alimentar esses ataques. Racismo religioso não é opinião, é crime”, destaca.

A série de episódios violentos levou o município a intensificar ações de combate à intolerância, mas os desafios ainda são grandes. Líderes religiosos cobram mais proteção, investigação rigorosa e políticas públicas eficazes. A esperança é que os templos — sejam igrejas ou terreiros — possam voltar a ser, de fato, lugares de fé, paz e respeito.

Com informações do J3News.

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