O avanço das hepatites virais voltou a acender o alerta das autoridades de saúde e de especialistas em todo o país. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que um em cada cinco pacientes com 80 anos ou mais internados por hepatites virais morre durante a hospitalização, evidenciando a gravidade da doença, especialmente entre a população idosa.

Levantamento realizado com base em informações do DataSUS analisou 42.314 internações por hepatites virais entre 2016 e 2025. A mortalidade hospitalar cresce progressivamente com a idade: é de 6,5% entre adultos de 18 a 59 anos, sobe para 14,2% entre pessoas de 60 a 69 anos, alcança 16,1% na faixa de 70 a 79 anos e chega a 20,9% entre pacientes com 80 anos ou mais.

Outro dado que preocupa é o crescimento de 56% dos casos de Hepatite A registrados no Brasil nos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. O cenário reforça a importância da conscientização durante o Julho Amarelo, campanha criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais.

No estado do Rio de Janeiro, a Hepatite C lidera as notificações, respondendo por 38,9% dos casos, seguida pela Hepatite B (36,8%) e Hepatite A (23,4%).
De acordo com o diretor do Hospital Fuad Chidid, da rede Assim Saúde, Dr. Marcelo Dibo, os atendimentos relacionados às doenças hepáticas têm aumentado significativamente.

Segundo o especialista, além das hepatites virais, cresce o número de pacientes com doenças hepáticas associadas à obesidade, diabetes e síndrome metabólica, reflexo do aumento desses problemas de saúde na população brasileira.

“O grande desafio é que muitas doenças do fígado evoluem silenciosamente durante anos. Em muitos casos, o paciente só descobre quando já apresenta cirrose ou até câncer hepático”, alerta o médico.

As hepatites virais podem permanecer sem sintomas por longos períodos. Quando aparecem, os principais sinais incluem cansaço, febre, mal-estar, dores abdominais, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir os casos da doença. Entre as recomendações estão manter a vacinação contra a Hepatite B em dia, utilizar preservativos nas relações sexuais, evitar compartilhar objetos cortantes ou perfurantes, consumir água tratada e alimentos seguros, controlar doenças como obesidade e diabetes, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar exames periódicos, especialmente entre pessoas com fatores de risco.

As hepatites virais continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo responsáveis por cerca de 1,4 milhão de mortes anuais, em decorrência de infecções agudas, cirrose e câncer de fígado.

Fonte: Ascom

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