O governo dos Estados Unidos pode ampliar medidas comerciais contra o Brasil nos próximos meses, em meio a investigações conduzidas pela agência americana de defesa comercial (USTR). Segundo análise publicada pela Veja, a decisão final deve ser tomada até julho e pode atingir empresas brasileiras de setores estratégicos, como carnes, aviação, energia, aço, alumínio e madeira.

De acordo com a publicação, o governo do presidente Donald Trump avalia denúncias relacionadas a supostas práticas de concorrência desleal e irregularidades comerciais. Entre as possibilidades previstas na legislação americana estão restrições comerciais, aumento de tarifas e até limitações de acesso a serviços tecnológicos e financeiros dos EUA.

O caso brasileiro é considerado um dos mais complexos entre os países atualmente analisados pelo governo americano, principalmente por envolver interesses bilionários entre as duas economias. Dados citados pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que os investimentos dos Estados Unidos no Brasil mais que triplicaram na última década, saltando de US$ 108,7 bilhões em 2014 para US$ 357,8 bilhões em 2024.

Outro ponto destacado é que os EUA acumularam superávit de US$ 257 bilhões na balança comercial com o Brasil nos últimos dez anos, além de mais de dois terços dos produtos americanos entrarem no mercado brasileiro com tarifa zero.

A reportagem também destaca que empresas brasileiras como JBS, Marfrig, Embraer, Tupy e Siemens Energy aparecem entre os setores observados pelas autoridades americanas. O setor madeireiro brasileiro é um dos focos da investigação, após suspeitas envolvendo exportações de madeira da Amazônia e possíveis irregularidades em certificações ambientais.

Nos bastidores diplomáticos, a avaliação é de que a decisão terá forte peso político e dependerá diretamente do cenário eleitoral e da relação entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Especialistas apontam que os dois governos podem optar tanto por ampliar o conflito comercial quanto buscar um acordo para preservar investimentos e o fluxo de comércio entre os países.

A expectativa é que as negociações avancem nas próximas semanas, enquanto setores produtivos brasileiros acompanham com preocupação os possíveis impactos sobre exportações, empregos e investimentos internacionais.

Fonte: Veja
Foto: Reprodução

Share.
Exit mobile version