Representantes dos Estados Unidos e do Irã iniciaram, neste sábado (11), uma nova rodada de negociações indiretas em busca de um possível acordo de paz, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. As tratativas ocorrem no Paquistão, com mediação do governo local.
As delegações são lideradas pelo vice-presidente americano JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Qalibaf. Ambos se reuniram separadamente com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif para apresentar suas demandas.
Propostas divergentes dificultam avanço
As negociações seguem marcadas por divergências significativas entre as partes. O Irã exige garantias de cessar-fogo definitivo, o fim das sanções econômicas e maior controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz, além da interrupção de ataques israelenses ao Hezbollah no Líbano.
Já os Estados Unidos condicionam qualquer avanço à imposição de restrições ao programa nuclear iraniano e à reabertura imediata do estreito, considerado uma das principais rotas globais de energia.
Enquanto isso, Israel mantém operações militares no Líbano, o que tem sido apontado por Teerã como um dos principais entraves para o avanço das negociações.
Conflito já deixou milhares de mortos
O cenário humanitário segue crítico. De acordo com estimativas recentes, o conflito já deixou mais de 4 mil mortos, sendo cerca de 3 mil no Irã, quase 2 mil no Líbano, além de vítimas em Israel e em países do Golfo.
Os impactos também atingem a economia global. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz reduziu drasticamente o fluxo de petróleo, contribuindo para a alta nos preços internacionais da energia. O barril do petróleo Brent já acumula valorização superior a 30% desde o início da crise.
Clima de desconfiança marca negociações
Apesar do início das conversas, o clima entre as partes ainda é de forte desconfiança. Autoridades iranianas afirmam que entram no diálogo com cautela, citando episódios anteriores de ataques durante negociações.
Do lado americano, o tom também é de pressão. O presidente Donald Trump afirmou que o Irã precisa ceder nas negociações e criticou o uso estratégico do Estreito de Ormuz.
Novas negociações paralelas no horizonte
Além das tratativas entre EUA e Irã, está previsto o início de negociações diretas entre Israel e Líbano na próxima semana, em Washington. O objetivo será discutir a situação do Hezbollah e possíveis medidas de estabilização na região.
O desfecho dessas negociações é considerado decisivo não apenas para o Oriente Médio, mas também para a estabilidade econômica global, especialmente no setor energético.
Fonte: g1
Foto: Alex Brandon/Pool via Reuters



