Uma decisão da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou o júri popular realizado em 2021 no caso do assassinato de Ana Paula Ramos, crime que marcou Campos dos Goytacazes em 2017. Com a decisão, parte dos acusados que havia sido condenada foi colocada em liberdade e deverá ser submetida a um novo julgamento.

Ana Paula tinha 25 anos e foi morta a tiros em uma praça no bairro Parque Barão do Rio Branco, em Guarus. Inicialmente tratado como um possível assalto, o crime ganhou novos contornos após investigação da Polícia Civil, que concluiu se tratar de um homicídio premeditado.

De acordo com a apuração, a jovem teria sido atraída ao local pela própria cunhada, apontada posteriormente como mandante do crime. A motivação seria um desentendimento pessoal. A acusação sustenta que o plano foi arquitetado para simular um latrocínio, com o objetivo de despistar as autoridades. Dois homens teriam sido contratados para executar o assassinato, mediante pagamento de R$ 2.500.

O caso gerou grande comoção na época, especialmente pelo fato de Ana Paula estar com casamento marcado e ter saído no dia do crime justamente com a cunhada para tratar de detalhes do vestido de noiva.

Em 2021, os acusados foram levados a júri popular e condenados. No entanto, a sentença foi anulada após os desembargadores entenderem que houve comprometimento da imparcialidade do julgamento. Durante uma pausa, um dos jurados teve contato indireto com o caso ao ouvir um dos réus falando sobre o processo dentro de um banheiro do fórum.

Embora, na ocasião, o juiz tenha anulado apenas parte do julgamento, a decisão mais recente considerou que o episódio poderia ter influenciado todo o conselho de sentença, invalidando assim o resultado final.

Com isso, Luana Barreto Sales, apontada como mandante, e Igor de Souza, indicado como executor, foram colocados em liberdade e responderão ao processo até a realização de um novo júri, ainda sem data definida. Wermison Ribeiro, outro acusado, havia sido colocado em prisão domiciliar, mas morreu posteriormente em um acidente. Já Marcelo Damasceno, julgado separadamente, segue preso, cumprindo pena de 13 anos.

A assistência de acusação informou que pretende recorrer da decisão.

Com a anulação, o processo retorna a uma fase anterior e o caso volta ao centro das atenções quase uma década após o crime, reacendendo o debate sobre um dos episódios mais impactantes da história recente de Campos.

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