O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna a Brasília diante da possibilidade de mudanças importantes no primeiro escalão do governo. Dois ministros já sinalizaram ao Planalto o desejo de deixar seus cargos nos próximos meses: Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Fernando Haddad, da Fazenda.

Lewandowski manifestou ao presidente, ainda no fim do ano passado, a intenção de antecipar sua saída do Ministério da Justiça, preferencialmente até esta semana, com data-limite na sexta-feira (9). A decisão já é de conhecimento dos secretários da pasta desde a virada do ano.

Entre técnicos do ministério, há divergências sobre o momento da saída. Parte defende a permanência de Lewandowski até a aprovação da chamada PEC da Segurança Pública, que ainda precisa passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado. Nos bastidores, o ministro demonstraria desgaste com a condução de temas sensíveis sem respaldo direto do Planalto, além de críticas à articulação política no Congresso.

No PT, a possível saída de Lewandowski reacendeu a discussão sobre o desmembramento do ministério, com a criação de uma pasta exclusiva para Segurança Pública, como resposta às críticas do eleitorado — área que aparece como uma das maiores preocupações da população nas pesquisas recentes.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também conversou com Lula sobre a possibilidade de deixar o cargo, mas indicou que poderia permanecer até o fim de fevereiro. O interesse de Haddad seria atuar na coordenação da campanha de reeleição do presidente em 2026. No entanto, aliados do Planalto avaliam outros caminhos, como uma eventual candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.

Com a eventual saída de Haddad, a tendência é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma interinamente o comando da Fazenda. Mesmo antes disso, a equipe econômica já passa por mudanças. O secretário de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa Pinto, deixou o cargo antes do recesso, movimento visto por governistas como o encerramento do ciclo da agenda reformista do governo Lula 3.

As decisões finais sobre as trocas ministeriais devem ser tomadas nos próximos dias pelo presidente.

Fonte: G1
Foto: Estadão / Agência Reuters

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