Presidente participa da cúpula na França em meio a tensões comerciais com Estados Unidos e União Europeia e terá agenda voltada para desenvolvimento econômico, comércio internacional e inteligência artificial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (14) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias industrializadas do mundo. A viagem ocorre em um momento de desafios para a política externa brasileira, especialmente diante das recentes tensões comerciais com os Estados Unidos e da decisão da União Europeia de restringir a importação de produtos brasileiros de origem animal.
Esta será a décima participação de Lula em encontros do G7 ao longo de seus três mandatos presidenciais. O fórum reúne Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia como membro institucional.
Entre os temas que devem dominar os bastidores do encontro está a relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano anunciou recentemente a intenção de aplicar tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras, medida baseada em uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
As autoridades americanas alegam supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio, incluindo questionamentos sobre o sistema de pagamentos instantâneos Pix. Até o momento, não há confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula.
Outro tema que deve mobilizar a diplomacia brasileira é a decisão da União Europeia de proibir, a partir de setembro, a importação de carnes, pescados, mel e outros produtos brasileiros de origem animal. A medida foi oficializada recentemente pelo bloco europeu e gerou preocupação entre autoridades e representantes do agronegócio nacional.
Além das questões comerciais, Lula pretende reforçar durante o encontro a defesa de uma reforma das instituições multilaterais e da governança global, tema recorrente em seus discursos internacionais. O presidente também deverá cobrar maior participação dos países desenvolvidos no financiamento de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao combate às desigualdades.
A agenda brasileira inclui participação em sessões de líderes sobre desenvolvimento econômico, cooperação internacional e inteligência artificial. O presidente também tem encontro confirmado com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, primeira mulher a ocupar o cargo no país asiático. O diálogo deve incluir temas ligados ao comércio internacional e possíveis avanços nas negociações entre o Japão e o Mercosul.
A expectativa é que a presença do Brasil na cúpula amplie o debate sobre comércio global, desenvolvimento econômico e o papel dos países emergentes na construção de uma nova ordem internacional.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/PR




