Mineiro de Além Paraíba, autor de “1968: O Ano que Não Terminou” construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo brasileiro
Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos nomes de destaque da imprensa e da literatura brasileira. Ele estava em casa, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL). A causa do falecimento não havia sido divulgada até a publicação das primeiras informações.
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, na Zona da Mata de Minas Gerais, Zuenir Ventura construiu uma trajetória de mais de seis décadas na imprensa. Passou por veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Também foi professor e colunista.
Uma das marcas de sua carreira foi transformar grandes reportagens em livros que ajudaram a registrar momentos importantes da história recente do país.
Em 1988, publicou “1968: O Ano que Não Terminou”, obra que revisitou os acontecimentos políticos e culturais daquele ano, marcado pelo endurecimento da ditadura militar brasileira. O livro se tornou uma referência do jornalismo-reportagem e posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo em 1992.
Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, publicado em 1994, resultado da experiência de Zuenir ao acompanhar de perto a realidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, após a chacina que deixou 21 moradores da comunidade mortos em 1993.
O jornalista também se dedicou à cobertura da Amazônia e do assassinato do seringueiro Chico Mendes. O trabalho deu origem ao livro “Chico Mendes: Crime e Castigo”, publicado em 2003.
Na Academia Brasileira de Letras
Zuenir Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna. Tomou posse em 6 de março de 2015 e passou a ocupar a Cadeira 32.
Na ABL, sua trajetória foi marcada também pela continuidade do trabalho como cronista e observador da sociedade brasileira. A própria Academia registrou, em junho deste ano, os 95 anos do jornalista e destacou sua contribuição à renovação do jornalismo brasileiro.
Zuenir deixa a mulher, Mary, os filhos Mauro e Elisa e os netos Alice e Eric. Informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas nas primeiras horas após a confirmação da morte.
Fontes: Academia Brasileira de Letras, GZH, Folha de S.Paulo e PublishNews.
Foto: André Lessa/Estadão Conteúdo



