Ex-secretária de Educação está entre os alvos de 19 mandados de busca e apreensão; investigação aponta possíveis direcionamentos, superfaturamento e lavagem de dinheiro
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil deflagraram nesta quinta-feira (1º) a Operação Escola de Papel, que investiga possíveis desvios de recursos públicos destinados a reformas e serviços de manutenção de escolas da rede estadual de ensino.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos. Entre os investigados estão ex-integrantes da Secretaria de Estado de Educação, empresários, um policial militar e um capitão do Corpo de Bombeiros. A Justiça também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.
Entre os alvos está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira, além de outros ex-integrantes da pasta. Segundo o MPRJ, a investigação apura indícios de direcionamento de contratações, superfaturamento e lavagem de dinheiro.
De acordo com os investigadores, os recursos destinados às obras eram repassados pela Secretaria de Educação às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), entidades responsáveis pela administração de verbas destinadas à manutenção e melhorias das unidades. Posteriormente, os valores chegavam às empresas contratadas.
A investigação aponta que alguns contratos apresentavam valores superiores aos custos efetivos dos serviços. Após os pagamentos, parte dos recursos teria sido retirada em espécie ou transferida para outras empresas, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Saque de R$ 500 mil
Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em janeiro deste ano, quando um administrador de uma empresa contratada para realizar obras em escolas estaduais foi acompanhado após sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias.
Segundo o MPRJ, o dinheiro estava em uma sacola plástica dentro de uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte dos valores.
Ainda conforme a investigação, o administrador afirmou que uma empresa havia recebido aproximadamente R$ 6 milhões por cerca de 15 obras, mas somente R$ 2 milhões teriam sido destinados efetivamente à execução dos serviços. Os outros R$ 4 milhões teriam ficado com um intermediário responsável por organizar as contratações e controlar a movimentação da conta bancária.
O MPRJ informou ainda que uma das empresas investigadas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025, enquanto foram identificados R$ 8,93 milhões em saques em espécie.
A apuração busca identificar os beneficiários dos possíveis desvios e esclarecer a participação de cada investigado. Segundo o Ministério Público, a investigação permanece em andamento e tramita sob sigilo.
A Secretaria de Estado de Educação informou que já vinha revisando contratos e procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparos na rede estadual e afirmou que está colaborando com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado, a Polícia Civil e demais órgãos responsáveis pela investigação.
Fonte: O Globo – Foto: Reprodução



