Programa municipal amplia o acesso à investigação do câncer de mama; especialistas alertam que o cuidado com a saúde não deve ficar restrito ao mês de outubro.

O Outubro Rosa é um lembrete importante, mas o cuidado com a saúde das mamas precisa acontecer durante todo o ano. Em Campos dos Goytacazes, os números do programa Campos Sempre Rosa mostram a dimensão dessa demanda: de janeiro a setembro de 2026, foram registrados 11.968 atendimentos, superando os 8.721 realizados durante todo o ano passado.

Criado em 2024, o programa municipal busca facilitar o acesso à avaliação especializada e à investigação de possíveis casos de câncer de mama. Segundo a Prefeitura, o atendimento inclui consultas com mastologistas, mamografia, ultrassonografia e, quando indicada, realização de biópsia.

A rede municipal também anunciou uma programação especial para outubro, com ações educativas e a oferta de mais de 400 mamografias adicionais por meio do Centro de Referência e Tratamento da Mulher (CRTM).

Diagnóstico precoce pode fazer diferença

O alerta ganha relevância diante das estimativas nacionais. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028.

A identificação da doença em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e favorecer melhores resultados. Por isso, esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento pode atrasar a investigação.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão nódulos na mama ou na axila, alterações na pele, retração do mamilo e saída espontânea de secreção, especialmente quando há sangue. Nem toda alteração significa câncer, mas qualquer mudança suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Mamografia e acompanhamento regular

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. Pelas orientações atuais do Ministério da Saúde, o rastreamento de rotina pelo SUS é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos.

Mulheres entre 40 e 49 anos também podem ter acesso à mamografia pelo SUS, mesmo sem sintomas, após orientação de um profissional de saúde sobre os benefícios e possíveis riscos do exame. Para outras faixas etárias, a indicação deve considerar a avaliação individual.

Conhecer o próprio corpo também é importante. Observar mudanças nas mamas durante as atividades cotidianas ajuda a perceber alterações, mas não substitui a mamografia indicada nem a avaliação médica.

Não deixe o cuidado para depois

Em Campos, a orientação é procurar a unidade de saúde de referência para receber informações sobre o acompanhamento e o acesso aos serviços disponíveis. Quem perceber algum sinal suspeito deve buscar avaliação sem esperar pela próxima campanha.

O Outubro Rosa reforça uma mensagem que vale para todos os meses: informação, acesso aos serviços de saúde e investigação no momento adequado são fundamentais. Mais do que vestir rosa, é preciso transformar a conscientização em cuidado contínuo.

Fontes: Prefeitura de Campos dos Goytacazes e Instituto Nacional de Câncer (INCA).

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