Em uma nova ação integrada de conservação da fauna marinha no estado do Rio de Janeiro, pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) reabilitados pelo Instituto BW foram devolvidos ao mar no último dia 23 de novembro. A operação contou com o apoio da Marinha do Brasil, Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Ministério Público Federal (MPF).

Os animais haviam encalhado debilitados durante o inverno de 2025 em praias da Região dos Lagos e do Norte Fluminense. Eles foram resgatados pelas equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), executado pela Petrobras e previsto no licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA. Após o resgate, os pinguins foram levados ao Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto BW (CRD-RL), em Praia Seca, Araruama, onde receberam tratamento clínico e manejo especializado até atingirem condições ideais para o retorno ao oceano.

A soltura aconteceu em alto-mar, cerca de 60 km da costa do Rio de Janeiro, em uma área próxima à Corrente do Brasil — corrente oceânica quente e salina que auxilia o deslocamento natural dos pinguins rumo às regiões reprodutivas na Patagônia argentina e chilena.

A vice-presidente do Instituto BW e responsável técnica pelos animais, Dra. Paula Baldassin, destacou que estes pinguins faziam parte de um grupo que precisava de mais tempo de recuperação antes da liberação:
“Agora, com alta médica e plenamente reabilitados, podem seguir em direção às suas colônias de origem. Cada animal devolvido ao oceano reforça o compromisso coletivo com a preservação da fauna marinha.”

O INPE atuou na operação com análises de sensoriamento remoto para identificar a posição ideal da Corrente do Brasil, garantindo menor deslocamento e maior segurança durante a soltura. Segundo o pesquisador titular Dr. Milton Kampel, o acompanhamento oceanográfico foi fundamental para o planejamento estratégico da missão.

A Marinha do Brasil forneceu logística, transporte, segurança e apoio técnico, embarcando a equipe, pesquisadores e animais em um Navio Hidroceanográfico. A instituição reforçou seu compromisso com a proteção ambiental e a conservação da vida marinha.

Participando da operação a bordo, o procurador da República Dr. Leandro Mitidieri destacou a relevância ambiental da iniciativa:
“A proteção desses animais representa um grau avançado de consciência ambiental, que repensa nossa visão antropocêntrica.”

Para o Diretor de Biodiversidade e Ecossistemas do INEA, Cleber Ferreira, a ação evidencia a importância da cooperação entre instituições:
“Os pinguins cruzam fronteiras seguindo rotas ancestrais. Nosso dever é garantir que essa travessia continue possível.”

O Instituto BW agradeceu ao MPF, INEA, INPE e Marinha do Brasil pela parceria, ressaltando que a integração entre as instituições foi essencial para o sucesso da operação, garantindo segurança, bem-estar e eficiência em todas as etapas.

A presença de pinguins no litoral do Sudeste é um fenômeno migratório natural. Ao encontrar um animal na praia, a orientação é não colocá-lo no gelo e não devolvê-lo ao mar. O correto é acionar o atendimento do Instituto BW pelo 0800 991 4800 (ligação gratuita), canal oficial no âmbito do PMP-BC/ES.

Em casos de tartarugas-marinhas, aves ou mamíferos marinhos mortos ou debilitados, a recomendação é a mesma: não manuseie o animal e acione imediatamente o serviço de resgate.

Com informações do Instituto BW – Foto: Divulgação

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