As investigações da Polícia Civil apontam que o feminicídio ocorrido na manhã de terça-feira (2), em Campos dos Goytacazes, foi precedido por um histórico de violência doméstica e ameaças que nunca chegaram a ser formalmente denunciadas às autoridades.

A vítima, Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro, Ruan Henrique Oliveira de Souza, de 31 anos, que, segundo a polícia, não aceitava o fim do relacionamento de aproximadamente 15 anos. Após o crime, ele tirou a própria vida.

De acordo com a delegada adjunta da 134ª Delegacia de Polícia, Madeleine Dykeman, relatos de familiares e testemunhas revelam que o casal vivia uma relação marcada por conflitos e episódios de agressão física.

Segundo a investigação, em fevereiro deste ano, Camile teria sido agredida pelo então companheiro, chegando a ficar com ferimentos visíveis no rosto. Apesar dos episódios de violência, nenhum registro policial foi realizado pela vítima.

Ainda conforme a polícia, a separação aconteceu recentemente após Camile descobrir uma suposta traição. A partir desse momento, o comportamento de Ruan teria se tornado ainda mais agressivo.

Um dos pontos que reforçam a linha de investigação de crime premeditado foi um episódio ocorrido cerca de duas semanas antes do feminicídio. Testemunhas relataram que o suspeito teria ido até a residência da ex-companheira armado, apontado uma arma para sua cabeça e feito ameaças de morte.

As imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram que Ruan entrou na residência pouco depois de os filhos gêmeos do casal, de 12 anos, saírem para a escola.

Segundo a perícia, Camile foi atingida por diversos golpes de faca em diferentes partes do corpo. Após o crime, Ruan foi encontrado morto nos fundos da residência.

Como o autor também faleceu, o inquérito policial será concluído com a extinção da punibilidade. Os aparelhos celulares da vítima e do suspeito foram apreendidos para perícia e auxiliar na reconstituição dos fatos.

Os filhos do casal estão sob os cuidados de familiares.

O caso volta a chamar atenção para a importância da denúncia de episódios de violência doméstica e para os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha.

Fonte: g1 Norte Fluminense | Foto: Arquivo Pessoal

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