A Polícia Federal revelou novos detalhes da investigação que apura um suposto esquema de fraudes, loteamento de cargos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). Áudios e mensagens extraídos de celulares apreendidos durante a Operação Unha e Carne indicam que o parlamentar teria atuado diretamente em decisões dentro da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, Thiago Rangel, que está preso preventivamente há quase duas semanas por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria exercido influência sobre cargos estratégicos da pasta e negociado vagas ligadas à área da Educação para pessoas apontadas como próximas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”.
De acordo com os investigadores, um dos áudios atribuídos ao deputado foi enviado à então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, também presa na operação. Na gravação, Thiago afirma que queria ser informado sobre tudo que acontecesse na regional e reforça que a indicação para o cargo teria partido dele.
Na época, Júcia comandava a Regional Noroeste da Seeduc, responsável por dezenas de escolas estaduais em cidades do Norte e Noroeste Fluminense. Para a Polícia Federal, o conteúdo das mensagens reforça a suspeita de controle político sobre a estrutura administrativa da educação estadual.
A investigação também aponta movimentações financeiras consideradas suspeitas. Em um dos diálogos analisados pela PF, Júcia teria encaminhado ao deputado um comprovante de transferência de R$ 100 mil envolvendo empresas ligadas ao grupo investigado. Os agentes acreditam que os valores possam ter sido utilizados em operações de lavagem de dinheiro oriundo de contratos públicos.
Outro trecho da investigação relaciona o deputado a indicações de cargos supostamente destinadas a pessoas ligadas ao traficante “Júnior do Beco”, apontado pela PF como integrante do crime organizado na região. Conversas obtidas no celular de um dos investigados mostram discussões sobre distribuição de vagas na área da Educação.
A Polícia Federal investiga ainda um possível esquema de fraudes em contratos de obras e serviços em unidades escolares estaduais, além de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e postos de combustíveis.
A defesa dos investigados ainda pode se manifestar ao longo do andamento do processo. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: g1 / Polícia Federal




