O tráfego intenso de veículos pesados em vias urbanas de Campos dos Goytacazes (RJ) tem provocado impactos diretos na mobilidade e na conservação do asfalto. A situação é consequência, principalmente, dos atrasos na conclusão das obras da RJ-238 (Estrada dos Ceramistas) e da suspensão judicial de uma portaria municipal que buscava ordenar a circulação de caminhões dentro da cidade.

O desconforto entre o município e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ganhou novos contornos com o adiamento da entrega da RJ-238, obra de responsabilidade do governo do Estado. Com isso, carretas e bitrens continuam utilizando ruas e avenidas que não foram projetadas para suportar tráfego contínuo de grande porte.

Na tentativa de minimizar os danos, o Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT) publicou uma portaria restringindo a circulação de veículos de carga rígidos ou articulados com mais de quatro eixos em vias sob circunscrição municipal, permitindo exceções apenas para atendimento a estabelecimentos comerciais. O documento também indicava rotas mais compatíveis com o porte dos veículos.

No entanto, segundo o IMTT, uma decisão liminar suspendeu os efeitos da portaria, fazendo com que os caminhões voltassem a circular pelas vias urbanas, ampliando a pressão sobre ruas e avenidas já comprometidas pelo desgaste do pavimento.

O subsecretário de Mobilidade, Sérgio Mansur, alerta que a presença constante desses veículos em corredores com semáforos, cruzamentos e grande fluxo de pedestres aumenta o risco de congestionamentos e acidentes, especialmente em áreas comerciais e residenciais.

“Grande parte da malha urbana não foi dimensionada para esse tipo de tráfego. O esforço das rodas no pavimento é muito elevado, principalmente nas frenagens, arrancadas e manobras”, explica.

Segundo Mansur, o peso excessivo acelera a deterioração do asfalto, provocando trincas, deformações e buracos, reduzindo significativamente a vida útil das vias — situação agravada em períodos de chuva, quando a infiltração de água potencializa os danos.

Relatório fotográfico da Secretaria de Obras, Urbanismo e Mobilidade, elaborado após inspeções na Avenida Arthur Bernardes e na Estrada do Carvão, confirma o desgaste precoce do pavimento. Em trechos da Beira-Valão, entre as avenidas 28 de Março e Arthur Bernardes, há diversos rompimentos e buracos na pista.

Atrasos sucessivos

De acordo com o IMTT, durante os períodos em que a RJ-238 esteve em obras, parte significativa do tráfego pesado com destino ao Porto do Açu foi desviada para vias urbanas, intensificando os danos estruturais.

O DER informou que a conclusão da obra, inicialmente prevista para o segundo semestre de 2025, foi adiada para o primeiro semestre de 2026, prolongando o cenário de pressão sobre a malha viária do município.

A Procuradoria Geral do Município destaca que a RJ-238 está liberada desde junho de 2025 em sistema “pare e siga”, o que comprova a viabilidade do tráfego de veículos pesados pela rodovia estadual.

“Diante disso, a prefeitura deverá regularizar novamente a circulação por meio de nova portaria”, informou o órgão.

Enquanto a situação não é resolvida, moradores, comerciantes e motoristas seguem enfrentando transtornos causados pelo desgaste do asfalto e pela sobrecarga do trânsito urbano.

Foto: César Ferreira / Divulgação

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