A tradicional família Garotinho, que há décadas domina o cenário político de Campos dos Goytacazes e do Estado do Rio, vive uma nova e acirrada crise interna. O racha familiar, que há tempos vem sendo comentado nos bastidores, ganhou os holofotes após a deputada federal Clarissa Garotinho tornar públicas as divergências com o pai, Anthony Garotinho, e o irmão, Wladimir Garotinho — atual prefeito de Campos.
Clarissa tem denunciado que sofre emocionalmente com as disputas familiares, chegando a relatar crises de ansiedade provocadas pelas brigas com o pai e o irmão. Em paralelo, acusa os dois de conspirarem contra sua carreira política, minando seu espaço e sua atuação tanto em Campos quanto na capital.
Garotinho, por sua vez, mais conhecido nos últimos tempos pelas passagens pela prisão e uma extensa ficha de acusações — que incluem compra de votos e corrupção —, teria voltado a atuar nos bastidores, tentando emplacar uma nova estratégia política em ano pré-eleitoral.
Entre as movimentações mais simbólicas desse racha, Clarissa tem feito gestos públicos de aproximação com o atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), um dos nomes mais fortes do cenário político fluminense e potencial candidato ao governo do Estado.
A ruptura expõe uma disputa de vaidades e ambições dentro de um grupo político que, por décadas, foi praticamente hegemônico em Campos. A cada nova eleição, a força do nome “Garotinho” ainda pesa — mas o desgaste público e as brigas internas podem selar o fim de uma era.
Resta saber se haverá espaço para reconciliação no clã ou se o futuro político da família será marcado por caminhos cada vez mais opostos — e conflituosos.
Fonte Revista Veja