O cenário político do Estado do Rio de Janeiro pode ganhar contornos inéditos em 2026. A possibilidade de renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que precisa deixar o cargo até o início de abril caso confirme candidatura ao Senado, abre caminho para uma situação incomum: a escolha de dois governadores no mesmo ano.
Sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Rio ficaria sem sucessão direta no Executivo. A situação se agrava porque o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que seria o próximo na linha sucessória, está afastado do cargo após operação da Polícia Federal.
Diante desse vácuo institucional, a legislação estadual determina a realização de uma eleição indireta para a escolha de um governador provisório, conhecido como governador-tampão. O responsável por conduzir o processo seria o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, que assumiria interinamente apenas para organizar e supervisionar a votação na Alerj.
A eleição indireta seria realizada pelos deputados estaduais e definiria quem comandará o Palácio Guanabara até janeiro de 2027. Esse mandato temporário coexistiria com a eleição direta prevista para outubro de 2026, quando os eleitores escolherão o governador que iniciará um novo ciclo administrativo no estado.
Apesar de provisório, o cargo de governador-tampão tem peso político significativo. O ocupante terá controle da estrutura administrativa do estado em pleno ano eleitoral, o que pode influenciar alianças, articulações políticas e o ambiente da campanha.
Caso o cenário se confirme, o Rio de Janeiro entrará para a história ao vivenciar, no mesmo ano, uma eleição indireta na Assembleia Legislativa e uma eleição direta nas urnas para o comando do Executivo estadual.
Fonte: g1 – Foto: Divulgação


