Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação vai definir a composição do Congresso norte-americano e pode alterar a relação de forças entre o presidente Donald Trump e o Legislativo nos dois últimos anos de seu mandato.
Diferentemente das eleições presidenciais, realizadas a cada quatro anos, as midterms renovam parcialmente o Congresso a cada dois anos. Neste ano, estarão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Atualmente, o Partido Republicano, legenda de Trump, controla as duas Casas. A manutenção dessa maioria facilita a aprovação de projetos e a condução da agenda do governo. Caso os democratas conquistem o controle de uma ou das duas Casas, poderão ampliar a fiscalização sobre o Executivo e dificultar o avanço de propostas presidenciais.
Para o professor de Relações Internacionais Carlos Gustavo Poggio, especialista em política dos Estados Unidos, uma eventual mudança na composição do Congresso também poderá abrir caminho para investigações parlamentares sobre o presidente e integrantes de seu governo.
Poggio considera, no entanto, improvável um processo de impeachment. Para que um presidente seja afastado, é necessário que a Câmara dos Representantes aprove o impeachment por maioria simples e que o Senado vote pela condenação com o apoio de pelo menos dois terços dos senadores presentes.
Campanha e pressão sobre o governo
Trump tem participado de eventos de campanha em diferentes regiões do país para mobilizar eleitores e apoiar candidatos republicanos. Entre as estratégias adotadas estão manifestações sobre políticas econômicas, propostas de benefícios financeiros e apoio a mudanças nos mapas eleitorais em alguns estados.
O presidente também defende restrições ao voto pelo correio, modalidade que, segundo levantamentos citados no debate eleitoral, é mais utilizada por eleitores democratas. As iniciativas têm sido alvo de disputas políticas e judiciais.
A economia aparece entre os principais temas da campanha. O aumento do custo de vida e dos preços dos combustíveis tem pressionado o orçamento das famílias e influenciado a avaliação do governo. A guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã também contribuiu para a alta dos combustíveis.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro apontou aprovação de 32% para Trump. O levantamento também identificou vantagem dos democratas na preferência dos eleitores para a disputa pelo Congresso.
O resultado das eleições será decisivo para definir o equilíbrio de forças em Washington e o espaço político de Trump para conduzir sua agenda até o fim do mandato.
Fonte: g1
Fonto: Kevin Lamarque/Reuters



