A expansão da inteligência artificial (IA) e os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho estão no centro dos debates da Rio Innovation Week, que termina nesta sexta-feira (7). No Rio de Janeiro, o tema também já integra as políticas públicas estaduais por meio da Lei 11.225/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em junho.

A legislação estabelece diretrizes voltadas à preparação dos trabalhadores diante das transformações provocadas pelo avanço da inteligência artificial. A proposta é estimular a qualificação profissional e a adaptação às novas demandas do mercado, buscando reduzir os impactos da transição tecnológica.

Durante a Rio Innovation Week, a presidente da Comissão de Inteligência Artificial e Inovação do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Ana Amélia Menna Barreto, defendeu a necessidade de medidas que acompanhem o desenvolvimento tecnológico.

Segundo a especialista, cerca de 30% do mercado de trabalho brasileiro já apresenta algum nível de exposição à inteligência artificial. Desse percentual, aproximadamente 15% da força de trabalho estaria mais sujeita à substituição direta, principalmente em atividades mecânicas e repetitivas.

Ao mesmo tempo, Ana Amélia destacou que características essencialmente humanas tendem a ganhar ainda mais importância no mercado, como inteligência emocional, pensamento crítico, criatividade e capacidade de solucionar problemas complexos.

Tecnologia e valorização profissional

O impacto da inteligência artificial já é percebido em diferentes profissões, inclusive em áreas criativas. O designer gráfico Lucas Lima, que atua há oito anos no setor, avalia que a atividade profissional vai muito além da produção estética.

Para ele, o design também exerce uma função social ao contribuir para projetos relacionados à acessibilidade, educação e sustentabilidade. Nesse contexto, a inteligência artificial pode ser utilizada como ferramenta de apoio, mas não elimina a necessidade de análise, criatividade e compreensão das necessidades específicas de cada projeto.

O profissional também aponta limitações atuais da tecnologia, especialmente na produção de conteúdos que dependem de contexto, sensibilidade e compreensão das particularidades humanas.

Preparação para uma nova realidade

O debate sobre os impactos da inteligência artificial também envolve a necessidade de estabelecer regras para sua utilização. A avaliação defendida durante o evento é que o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por formação profissional, políticas públicas e mecanismos que permitam aos trabalhadores se adaptar às novas condições do mercado.

Dados apresentados na discussão indicam que 95% dos entrevistados brasileiros afirmam utilizar inteligência artificial, percentual superior à média global de 85%, segundo levantamento citado da EY. Entre os brasileiros, 47% relatam possuir algum preparo prévio relevante para utilizar a tecnologia.

A discussão promovida pela Alerj e pela Rio Innovation Week coloca em evidência um dos principais desafios da chamada nova Era Digital: encontrar formas de incorporar a inteligência artificial ao cotidiano profissional sem deixar de valorizar competências que dependem da experiência, criatividade, pensamento crítico e capacidade humana de tomada de decisão.

Fonte: Alerj

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