Cinco anos depois do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a pandemia foi oficialmente superada, mas a doença segue presente e ainda provoca internações e mortes em todo o país. Especialistas alertam que a baixa cobertura vacinal, especialmente entre crianças e grupos prioritários, mantém o coronavírus como uma ameaça constante à saúde pública.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, menos de 40% das doses distribuídas foram aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas aos estados e municípios, apenas cerca de 8 milhões chegaram aos braços da população. O cenário preocupa autoridades sanitárias, sobretudo diante da possibilidade de surgimento de novas variantes.
Levantamento da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que ao menos 10.410 pessoas desenvolveram quadros graves de covid-19 em 2025, resultando em aproximadamente 1,7 mil mortes. Os números se referem apenas aos casos confirmados por testes laboratoriais e ainda podem aumentar devido a registros tardios.
Segundo o coordenador do InfoGripe, Leonardo Bastos, o coronavírus continua sendo um dos vírus respiratórios mais perigosos em circulação. Ele destaca que, apesar da redução em relação ao auge da pandemia, o volume de casos e óbitos ainda é elevado, mas acabou sendo “normalizado” pela população.
A pesquisadora Tatiana Portella, também do InfoGripe, reforça que a covid-19 não apresenta um padrão sazonal definido, como ocorre com a gripe, o que significa que novas ondas podem surgir a qualquer momento. “A vacinação em dia é a principal forma de proteção”, ressalta.
Baixa adesão entre crianças preocupa
Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação para crianças, gestantes e idosos. Mesmo assim, a adesão segue abaixo do esperado. Em 2025, apenas 3,49% das crianças menores de 1 ano foram vacinadas, segundo o painel público de vacinação.
Especialistas alertam que crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis. Dados do InfoGripe indicam que, entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil crianças com menos de dois anos desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave associada à covid-19, com 801 mortes.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, aponta que a principal causa da baixa cobertura é a redução da percepção de risco, agravada pela disseminação de informações falsas sobre vacinas. Ela reforça que a segurança e a eficácia dos imunizantes já foram amplamente comprovadas.
Estudos mostram que crianças vacinadas apresentam risco significativamente menor de infecção grave, além de proteção contra complicações como a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), condição rara, porém potencialmente fatal.
Especialistas reforçam: vacina salva vidas
Mesmo fora do cenário de emergência sanitária, especialistas são unânimes ao afirmar que manter o esquema vacinal atualizado é fundamental, principalmente para crianças, idosos, gestantes, imunocomprometidos e pessoas com comorbidades.
“O vírus continua circulando e pode causar surtos inesperados. A vacinação é a principal ferramenta para evitar internações e mortes”, reforçam os pesquisadores.
Fonte Agência Brasil – Foto: Raquel Portugal/FioCruz


