O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, traz à tona reflexões sobre igualdade, respeito e segurança para as mulheres. Embora a data seja marcada por homenagens e manifestações nas redes sociais, especialistas alertam que a realidade ainda é preocupante quando o assunto é violência de gênero.
Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio em 2025, o maior número já contabilizado no país. O índice supera o registrado em 2024, quando foram contabilizados 1.464 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero.
A estatística revela um cenário alarmante: quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil ao longo do último ano.
Mesmo com o avanço de políticas públicas e de campanhas de conscientização, episódios de violência continuam sendo registrados com frequência em diferentes regiões do país, reforçando a necessidade de ampliar mecanismos de proteção e apoio às vítimas.
Denúncias chegam à OAB
A presidente da Comissão OAB Mulher da 12ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro, Isadora Linhares, afirma que a entidade não realiza atendimento direto às vítimas, mas acaba sendo procurada por mulheres que relatam diferentes tipos de violência.
Segundo a advogada, entre as situações mais frequentes estão agressões físicas, violência sexual e também casos de assédio no ambiente profissional.
Ela explica que diversos fatores contribuem para que muitas mulheres permaneçam em relações abusivas sem buscar ajuda. Entre eles estão dependência emocional, dependência financeira e o medo do julgamento social.
Outro ponto preocupante, de acordo com Isadora, é que muitas vítimas não percebem inicialmente que estão vivendo uma situação de violência.
Ela cita como exemplos a violência psicológica, quando o parceiro controla comportamentos e decisões da mulher, e a violência financeira, quando há controle sobre o dinheiro ou a renda da vítima.
A advogada também alerta para a necessidade de melhor preparo de instituições responsáveis pelo acolhimento das vítimas, para evitar a chamada revitimização, quando a mulher volta a sofrer constrangimentos ao procurar ajuda.
Igualdade também no mercado de trabalho
A discussão sobre direitos das mulheres também passa pelo ambiente profissional. Para a jornalista e coordenadora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Fluminense (Uniflu), Priscila Castro, ainda existem desafios importantes relacionados à equidade de gênero.
Segundo ela, o reconhecimento profissional deveria estar baseado exclusivamente na qualidade do trabalho desenvolvido, mas na prática as mulheres ainda enfrentam barreiras para alcançar posições de liderança.
A professora ressalta que, em muitos casos, as mulheres continuam sendo minoria em cargos de decisão ou de maior visibilidade dentro das organizações.
Liderança feminina ainda enfrenta resistência
Outro aspecto destacado por Priscila Castro diz respeito à forma como mulheres em posições de liderança são percebidas no ambiente profissional.
Ela explica que comportamentos considerados naturais ou positivos quando partem de homens, como firmeza ou objetividade, muitas vezes são interpretados de forma negativa quando manifestados por mulheres.
Diante desse cenário, muitas profissionais acabam tendo que equilibrar constantemente autoridade, sensibilidade e resistência para lidar com expectativas e julgamentos distintos.
Papel das universidades
Para a coordenadora do curso de Jornalismo do Uniflu, as instituições de ensino superior também têm responsabilidade na construção de uma sociedade mais igualitária.
Além da formação técnica, o ambiente universitário deve incentivar o debate sobre temas como direitos humanos, diversidade, ética e igualdade de gênero, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes do seu papel social.
Muito além das homenagens
Para especialistas, a data comemorativa deve servir como momento de reflexão sobre os desafios ainda enfrentados pelas mulheres no país.
Mais do que homenagens pontuais, a luta das mulheres passa pela garantia de segurança, igualdade de oportunidades e respeito em todos os espaços da sociedade.
Serviço
Mulheres vítimas de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia em todo o país.
O canal oferece orientação sobre direitos, encaminhamento para serviços de atendimento e registro de denúncias.
📞 Telefone: 180
📱 WhatsApp: (61) 9610-0180
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Fonte: g1


