Em um mundo que insiste em vender o amor como um eterno final feliz, embalado por fotos perfeitas e legendas inspiradoras nas redes sociais, a peça “Anti Amor” convida o público a um mergulho em sentido contrário. Aqui, o romance não é idealizado — é vivido na pele, com suas rachaduras, seus tropeços e aquele sabor agridoce que só as relações humanas conseguem ter.
Com texto 100% autoral, a obra nasce da mente e do corpo criativo de Lucas Machado e Rodri Mendes, que também dividem o palco com um terceiro personagem. A proposta é simples e ousada ao mesmo tempo: fazer rir, mas também cutucar. É comédia, sim, mas daquelas que deixam o riso preso na garganta quando uma fala acerta em cheio uma memória ou uma ferida que o espectador talvez nem soubesse que estava ali.
A dramaturgia brinca com o significado da palavra “amor” — ou melhor, com as várias formas como cada um a entende, vive e, muitas vezes, sobrevive a ela. Ao longo do espetáculo, o público acompanha três personagens que, à primeira vista, poderiam estar em qualquer mesa de bar, esperando um amigo chegar. Eles falam, debatem e se contradizem enquanto desnudam experiências pessoais nada românticas: términos mal resolvidos, paixões que nunca viraram algo concreto e carências que, de tão profundas, se tornaram parte da personalidade.
Apesar do tom cômico, o texto tem um ritmo que alterna leveza e peso. Um diálogo mais irônico pode, no instante seguinte, abrir espaço para uma confissão íntima. Esse contraste mantém a atenção do público, que acaba se reconhecendo, mesmo que a contragosto, nas fragilidades expostas em cena. É justamente nesse lugar, entre o desconforto e o riso, que “Anti Amor” encontra sua força.
Para Lucas e Rodri, o palco não é só espaço de atuação, mas um laboratório emocional. As histórias que os personagens contam podem não ser exatamente as deles, mas carregam a verdade de quem observa o mundo com olhar atento e disposto a transformar o caos cotidiano em arte. “O amor é uma pauta inesgotável, mas a gente quis olhar para ele pelo avesso, para o que não dá certo, para o que deixa cicatrizes. É uma maneira de dizer que tudo isso também faz parte e merece ser falado”, comenta Lucas.
O espetáculo estará em cartaz neste sábado (16) e domingo (17), e retorna na próxima semana, nos dias 23 e 24 de agosto, sempre às 20h, no Teatro Firjan SESI Campos. Os ingressos podem ser adquiridos na plataforma Sympla ou diretamente no atendimento do teatro.
No fim, “Anti Amor” não entrega respostas prontas nem fórmulas mágicas para o coração — mas talvez seja justamente por isso que valha tanto a pena assistir. Entre uma gargalhada e outra, o público sai com a sensação de que amar, não amar, ou deixar de amar, é muito mais complexo e interessante do que qualquer final feliz de novela poderia mostrar.