Um estudo recente publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública revelou que mulheres vítimas de violência sexual têm 74% mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida.

A pesquisa foi baseada em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE, considerada o principal levantamento sobre as condições de saúde da população brasileira.

Dados e metodologia
O estudo analisou mais de 70 mil entrevistas e cruzou informações sobre histórico de violência sexual e ocorrência de doenças cardíacas. Para garantir a precisão dos resultados, os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos que eliminaram a influência de fatores como idade, escolaridade, região e outros aspectos sociais.

Os resultados indicaram maior incidência de problemas como infarto do miocárdio e arritmias entre mulheres que sofreram esse tipo de violência. Já em casos de angina e insuficiência cardíaca, não houve diferenças significativas.

Impactos além da saúde mental
De acordo com o pesquisador Eduardo Paixão, da Universidade Federal do Ceará, os efeitos da violência sexual vão muito além dos danos psicológicos imediatos.

Segundo ele, o trauma pode desencadear uma série de reações no organismo, como aumento da inflamação, alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca, fatores diretamente ligados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Além disso, comportamentos de risco associados ao trauma — como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada — também contribuem para o agravamento do quadro.

Violência como problema de saúde pública
Os dados mostram ainda que 8,61% das mulheres brasileiras já sofreram violência sexual ao longo da vida, contra 2,1% dos homens. Especialistas alertam que esses números podem ser ainda maiores, devido à subnotificação dos casos.

Para os pesquisadores, o estudo reforça a necessidade de integrar políticas públicas de combate à violência com estratégias de prevenção em saúde, especialmente no acompanhamento de vítimas.

A conclusão aponta que compreender esses fatores pode ajudar a reduzir a incidência de doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo

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