Quatro anos após ser preso, Glaidson Acácio voltou a falar sobre o caso em depoimento exibido pelo Fantástico; empresa que prometia rendimentos de 10% ao mês começou a ganhar força em Cabo Frio
Quatro anos depois de ser preso pela Polícia Federal, Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, voltou ao centro das atenções após o Fantástico, da TV Globo, exibir neste domingo (6) trechos de um depoimento prestado por ele à Justiça.
Glaidson afirmou que possui uma fortuna em criptomoedas armazenada em uma carteira digital mantida em um dispositivo físico que está sob custódia da Polícia Federal. Segundo ele, o valor seria suficiente para quitar as dívidas com os investidores da antiga G.A.S. Consultoria.
A declaração chama atenção pelo tamanho do passivo atribuído à empresa: a relação de credores ultrapassa 77 mil pessoas e empresas, enquanto a dívida é estimada em quase R$ 3 bilhões.
Durante o depoimento, Glaidson afirmou que o patrimônio “está lá”, mas disse não se lembrar da senha necessária para acessar a carteira.
Um império que começou em Cabo Frio
A história que levou Glaidson a se tornar conhecido nacionalmente tem uma ligação direta com a Região dos Lagos.
Antes de construir a estrutura que movimentaria bilhões de reais, Glaidson trabalhou como garçom em Cabo Frio e em Búzios. Foi na região que começou a captar clientes e a investir no mercado de criptomoedas.
A G.A.S. Consultoria e Tecnologia ganhou força oferecendo aos clientes contratos que prometiam rendimentos mensais de cerca de 10% sobre os valores investidos em operações envolvendo criptomoedas.
A empresa, sediada na Região dos Lagos, passou a atrair milhares de investidores de diferentes estados brasileiros e também do exterior.
Segundo a investigação, a estrutura movimentou mais de R$ 38 bilhões ao longo dos anos. Para o Ministério Público Federal, o grupo é acusado de integrar uma organização criminosa e de operar um esquema financeiro irregular envolvendo criptomoedas.
A apuração sustenta que os rendimentos obtidos nas operações não seriam suficientes para manter os pagamentos prometidos aos investidores e que a estrutura dependeria da entrada de novos clientes.
Prisão em 2021
Glaidson foi preso em agosto de 2021 durante a Operação Kryptos, deflagrada pela Polícia Federal. Na época, a operação apreendeu grandes quantidades de dinheiro e bens ligados à estrutura empresarial.
O caso ganhou proporções nacionais e transformou o empresário, que havia trabalhado como garçom e também atuado como pastor, em uma das figuras mais conhecidas do mercado de criptomoedas no Brasil.
Em 2025, a Justiça do Rio condenou Glaidson a 19 anos e 2 meses de prisão por crimes relacionados à organização criminosa. Ele continua respondendo também a outros processos.
A fortuna que pode estar em uma “carteira fria”
Um dos pontos que mais chamaram atenção na reportagem do Fantástico foi justamente a existência de uma carteira de criptomoedas que, segundo Glaidson, concentraria recursos suficientes para pagar os credores.
Uma “carteira fria” é um dispositivo que permite armazenar as chaves necessárias para movimentar criptomoedas sem ficar conectado permanentemente à internet.
O problema, segundo o próprio Glaidson, é que ele não teria a senha memorizada.
A informação abre uma nova frente de interesse no caso: a possibilidade de existência de um patrimônio em criptomoedas capaz de reduzir parte do enorme passivo deixado pela G.A.S. Consultoria.
Defesa contesta acusações
Glaidson nega ter cometido crimes e afirmou, no depoimento exibido pelo Fantástico, que considera as acusações contra ele injustas.
A defesa sustenta que a empresa não operava de forma ilegal e atribui a interrupção dos pagamentos aos investidores às decisões judiciais que determinaram a paralisação das atividades.
O caso segue envolvendo diferentes processos judiciais e permanece acompanhado pelas autoridades.
A história do “Faraó dos Bitcoins”, entretanto, continua tendo um capítulo especialmente próximo dos moradores do estado do Rio: foi em Cabo Frio, na Região dos Lagos, que começou a trajetória empresarial que posteriormente alcançaria cifras bilionárias e milhares de investidores em todo o país.
Fonte: Fantástico/TV Globo, Folha de S.Paulo, UOL e STJ
Foto: Reprodução/TV Globo




