A economia fluminense pode viver um ciclo robusto de expansão nas próximas décadas caso o Estado consiga mobilizar suas vocações produtivas emergentes. Essa é a principal conclusão do estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e apresentado nesta quarta-feira (10/12), em evento na sede da entidade, que reuniu mais de 300 empresários e autoridades públicas.
Segundo o levantamento, a adoção de políticas estruturadas para o estímulo a nove novas fronteiras industriais tem potencial para elevar o crescimento esperado do PIB da indústria fluminense de R$ 279 bilhões para R$ 489 bilhões ao longo dos próximos dez anos — uma diferença de R$ 210 bilhões. Esse impulso adicional seria acompanhado da criação de 676 mil empregos, o equivalente a todo o mercado formal de trabalho do Mato Grosso do Sul.
O estudo foi entregue ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e ao secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione. Ambos destacaram que o documento funciona como um sinalizador estratégico para o poder público, apontando caminhos claros para a reindustrialização e a expansão da competitividade do estado.
Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, o momento é decisivo.
“O estímulo a essas novas fronteiras é imprescindível. O Rio não pode perder a oportunidade de estabelecer um verdadeiro marco para seu desenvolvimento econômico e social. É necessário que gestores públicos compreendam o potencial apontado pelo estudo e atuem para destravar gargalos históricos”, afirmou.
As projeções foram construídas com base em indicadores do IBGE, FGV e Banco Central, além de entrevistas com 200 especialistas, empresários e gestores públicos. O levantamento mapeou 125 atividades industriais distribuídas por todo o território fluminense, identificando vocações consolidadas e segmentos emergentes.
Duas grandes diretrizes de crescimento
A Firjan dividiu as novas vocações em dois blocos:
- Estruturantes – Petróleo e Gás, Infraestrutura, Metalmecânico e Construção.
Potencial estimado: 438 mil empregos adicionais. - Consumo – Alimentos e Bebidas, Audiovisual e TIC, Indústria Química e Farmacêutica, Moda, Têxtil e Confecção, Papel e Gráfico.
Potencial estimado: 238 mil empregos.
Entre as nove fronteiras apontadas, destacam-se:
– Transição energética, baixo carbono e economia circular;
– Turismo, cultura e economia criativa;
– Complexo portuário-logístico e corredores produtivos (com destaque para a ferrovia EF-118, que integrará os portos do Açu, Vitória e Sepetiba);
– Complexo da saúde, biotecnologia e farmoquímica;
– Economia do mar, com estímulo à indústria naval, bioeconomia marinha e ao mercado náutico;
– Complexo aeroespacial e manutenção, reparo e operações (MRO);
– Indústria petroquímica avançada;
– Hub de inovação, tecnologia, IA e data centers;
– Agroindústria e bioeconomia territorial.
Gargalos estruturais ainda limitam investimentos
Embora o estudo aponte oportunidades expressivas, a Firjan reforça que há desafios urgentes que precisam ser enfrentados para que o estado possa capturar esse potencial.
Entre eles, a segurança pública surge como o principal entrave: dois em cada três industriais afirmam que decisões de investimento são afetadas pela violência. Outro ponto crítico é o fornecimento de energia, cujas perdas em 2024 acarretaram prejuízo de R$ 1,7 bilhão.
A infraestrutura logística também foi citada como insuficiente — a malha viária fragmentada, portos pouco integrados e ausência de conexões intermodais reduzem a competitividade. Já na esfera regulatória, empresários demandam maior estabilidade e previsibilidade, além de políticas tributárias alinhadas a um ambiente de negócios moderno.
Próximos passos
A Firjan anunciou que, a partir de fevereiro, iniciará uma série de ações regionais para apresentar os resultados a indústrias de todo o estado. O estudo também será levado a candidatos às eleições de 2026, com o objetivo de influenciar agendas de governo e direcionar investimentos de longo prazo.
Com informações da Firjan – Foto Divulgação


