Duas tartarugas-marinhas da espécie Chelonia mydas, conhecida como tartaruga-verde, foram devolvidas ao oceano na manhã deste sábado (31), na Praia de Lagoa Doce, em São Francisco de Itabapoana, após passarem por um período de reabilitação conduzido pelo Instituto BW para Conservação e Medicina da Fauna Marinha. A soltura contou com apoio da Guarda Ambiental Municipal e marcou mais uma ação voltada à preservação da fauna marinha no litoral norte fluminense.
Os animais foram resgatados durante o monitoramento diário realizado pela equipe do instituto e encaminhados ao Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) Norte Fluminense, onde receberam atendimento veterinário especializado. A ação integra o Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e do Espírito Santo (PMP-BC/ES), exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama.
Um dos exemplares apresentava ferimentos compatíveis com emalhamento em rede de pesca fantasma, além de lesões na cabeça que indicavam possível colisão com embarcação. Exames identificaram também resíduos plásticos no trato intestinal e fraturas na face. Após tratamento clínico e acompanhamento intensivo, o animal voltou a se alimentar normalmente e eliminou os resíduos ingeridos.
A segunda tartaruga chegou ao centro com baixo peso, desidratação e anemia severa, causada por infestação parasitária. Apesar do quadro clínico delicado, a resposta ao tratamento foi positiva, com recuperação do apetite e reversão da anemia, possibilitando o retorno seguro ao ambiente natural.
De acordo com o Instituto BW, os casos reforçam os impactos diretos das ações humanas sobre a fauna marinha, especialmente o descarte inadequado de lixo e a perda de equipamentos de pesca no mar, que continuam sendo ameaças recorrentes à vida marinha.
A tartaruga-verde é uma espécie frequentemente registrada no litoral do Rio de Janeiro, principalmente em áreas de águas rasas e ricas em algas, utilizadas como zonas de alimentação e desenvolvimento. Para a médica-veterinária Paula Baldassin, coordenadora da área de Medicina Veterinária e vice-presidente do Instituto BW, o trabalho conjunto com comunidades costeiras é essencial para ampliar a proteção dos animais.
O instituto reforça que, ao encontrar animais marinhos mortos ou debilitados na faixa de areia, a população não deve tentar devolvê-los ao mar. O correto é acionar imediatamente o serviço de resgate pelo telefone 0800 991 4800.
Fonte: Instituto BW



