O Instituto BW realizou, na manhã desta quinta-feira (30), a soltura de uma tartaruga-marinha da espécie Chelonia mydas, conhecida como tartaruga-verde, na Praia dos Cavaleiros, em Macaé, no Norte Fluminense. A ação marcou o encerramento de um longo processo de reabilitação do animal, que durou cerca de quatro meses.
A soltura faz parte das atividades do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo (PMP-BC/ES), executado pelo Instituto BW como condicionante do licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA.
A tartaruga foi resgatada e encaminhada ao Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna (CRD) Norte Fluminense, em São Francisco de Itabapoana, apresentando sinais de afogamento, possivelmente causados por emalhamento em rede de pesca fantasma. Durante os exames iniciais, a equipe veterinária identificou, por meio de radiografia, grande quantidade de resíduos plásticos no trato intestinal.
Segundo o Instituto BW, a ingestão de plástico provocou um quadro grave de inflamação intestinal, agravado pela interação com o petrecho de pesca, que contribuiu para o desenvolvimento de pneumonia e anemia complexa. Os três primeiros meses de tratamento foram considerados críticos e exigiram acompanhamento intensivo e protocolos específicos para a espécie.
Com a evolução do quadro clínico, o animal respondeu positivamente ao tratamento, revertendo os sintomas de pneumonia e anemia. A tartaruga voltou a se alimentar sozinha, apresentou ganho de peso, retomou as funções fisiológicas normais e eliminou completamente os resíduos sólidos ingeridos, o que permitiu sua reintrodução segura ao ambiente natural.
Para a coordenadora de Medicina Veterinária e vice-presidente do Instituto BW, Dra. Paula Baldassin, cada soltura representa mais do que a recuperação de um animal. “Reintroduzir esse animal ao habitat natural é muito gratificante para toda a equipe. Cada olhar de uma criança e até mesmo de um adulto para esse animal é uma semente plantada para a conservação do meio ambiente no futuro”, destacou.
O caso reforça os impactos das ações humanas sobre a fauna marinha, especialmente o descarte inadequado de lixo e a perda de equipamentos de pesca no oceano, que colocam em risco diversas espécies. A tartaruga-verde é frequentemente registrada no litoral do Rio de Janeiro, principalmente em áreas rasas e ricas em algas, fundamentais para sua alimentação e desenvolvimento.
O Instituto BW orienta que, ao encontrar tartarugas, aves marinhas, pinguins ou mamíferos marinhos mortos ou debilitados na faixa de areia, a população não devolva o animal ao mar e acione imediatamente o telefone 0800 991 4800 para o resgate especializado.
Criado em janeiro de 2020, o Instituto BW para a Conservação e Medicina da Fauna Marinha atua na reabilitação de animais silvestres e em ações de educação ambiental na Região dos Lagos e Norte Fluminense, com foco na pesquisa, medicina veterinária e conservação dos ecossistemas marinhos.
Fonte: Instituto BW



