Campos dos Goytacazes será, nos dias 18 e 19 de agosto, o ponto de encontro de pesquisadores e profissionais que trabalham para decifrar, preservar e interpretar documentos históricos. A cidade recebe o IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática, no Hotel Tulip Inn, com o tema “Desafios da Paleografia e da Diplomática na contemporaneidade”.
Mas, afinal, o que significam essas duas palavras que podem parecer distantes do cotidiano?
Imagine encontrar uma carta, um registro de propriedade ou um documento público escrito há 200 ou 300 anos. A letra pode ser completamente diferente da utilizada atualmente, com abreviações, símbolos e formas de escrita que já não são comuns. É justamente nesse cenário que entra a Paleografia.
O que é Paleografia?
A Paleografia é a área dedicada ao estudo das formas antigas de escrita. O trabalho permite ler, interpretar e compreender documentos produzidos em diferentes períodos históricos, ajudando pesquisadores a recuperar informações que poderiam permanecer inacessíveis.
Já a Diplomática está relacionada à análise dos próprios documentos, considerando aspectos como sua estrutura, origem, autenticidade, finalidade e contexto de produção.
Na prática, as duas áreas são importantes para quem pesquisa a história de cidades, famílias e instituições, além de contribuírem para a preservação de arquivos e da memória coletiva.
Campos volta a sediar congresso nacional
O IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática marca o retorno do evento à cidade de Campos dos Goytacazes após mais de uma década sem novas edições. A primeira edição também foi realizada no município.
O congresso reúne pesquisadores, arquivistas, historiadores, paleógrafos, professores, estudantes e profissionais da informação de diferentes regiões do país e do exterior.
A programação está organizada em três eixos principais: formação acadêmica e exercício profissional; inteligência artificial e novas tecnologias aplicadas à Paleografia e Diplomática; e as relações interdisciplinares entre as duas áreas.
Entre os assuntos previstos estão a preservação documental, estudos genealógicos, análise histórica, combate ao tráfico ilícito de documentos e os impactos das novas tecnologias sobre a pesquisa e a conservação de acervos.
Até a inteligência artificial entra na discussão
Um dos pontos que aproximam um assunto aparentemente ligado ao passado das tecnologias do presente é a utilização da inteligência artificial na análise documental.
Durante o congresso, haverá um minicurso sobre inteligência artificial aplicada à transcrição de documentos históricos, com apresentação de uma introdução ao uso da plataforma Transkribus.
Também haverá um painel específico sobre “Inteligência Artificial e Novas Tecnologias Aplicadas à Paleografia e Diplomática”, mostrando como ferramentas digitais podem auxiliar pesquisadores no trabalho de leitura e interpretação de documentos.
A programação também contempla uma palestra sobre Paleografia aplicada aos estudos de genealogia, área que pode interessar especialmente a pessoas que pesquisam a história de suas próprias famílias e antepassados.
Memória que atravessa gerações
Além do aspecto acadêmico, o congresso chama atenção para a importância de preservar documentos que ajudam a reconstruir a trajetória de pessoas, instituições e comunidades.
Cartas, registros administrativos, documentos religiosos, processos, escrituras e outros materiais antigos podem guardar informações fundamentais para compreender como uma sociedade se organizava em determinado período.
Por isso, o trabalho desenvolvido por paleógrafos, arquivistas e historiadores vai muito além de simplesmente “ler letra antiga”. Trata-se de recuperar informações, verificar documentos, preservar fontes históricas e permitir que novas gerações tenham acesso a registros que ajudam a contar a história.
Programação e participação
O congresso terá conferências, painéis, apresentações de trabalhos científicos, minicursos, lançamentos de livros e atividades institucionais. Entre os destaques estão a conferência de abertura “Perspectivas Contemporâneas da Paleografia e Diplomática”, a discussão sobre análise documental aplicada aos estudos históricos e o painel sobre inteligência artificial e novas tecnologias.
A programação é realizada em formato híbrido, permitindo participação presencial em Campos ou acompanhamento pela internet. As atividades divulgadas na programação oficial têm acesso gratuito.
O evento é realizado pelo Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, Arquivo Nacional e Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O congresso foi contemplado em edital da instituição para apoio à organização de eventos científicos, tecnológicos e de inovação.
Serviço
IV Congresso Brasileiro de Paleografia e Diplomática
Tema: “Desafios da Paleografia e da Diplomática na contemporaneidade”
Data: 18 e 19 de agosto de 2026
Local: Hotel Tulip Inn, Campos dos Goytacazes
Formato: presencial e online
Participação: atividades com acesso gratuito, conforme programação oficial.
Mais informações e a programação completa estão disponíveis na página oficial do congresso.





