O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu para 2 de setembro o início de um dos julgamentos mais aguardados da história recente da República. Sob a presidência do ministro Cristiano Zanin, a Primeira Turma da Corte dará início à análise da ação penal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus apontados como parte do núcleo central de uma suposta tentativa de golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022.
As sessões, extraordinárias, estão previstas para ocorrer entre 2 e 12 de setembro. A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República, descreve o grupo como a cúpula de uma articulação para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente em outubro de 2022.
Além de Bolsonaro, sentarão no banco dos réus figuras de peso do antigo governo: os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa); o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem; e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, cuja delação já trouxe novos elementos à investigação.
No total, 34 pessoas foram denunciadas no caso, mas o julgamento desta primeira fase se concentrará no núcleo considerado “crucial” para a execução do plano. As acusações incluem organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Bolsonaro, que mantém influência política expressiva, nega as acusações e afirma que jamais tentou permanecer no poder de forma ilegal. Seus advogados sustentam que não há provas de sua participação em qualquer ação golpista.
O processo, que une alta tensão política e consequências jurídicas severas, promete ocupar o centro do debate nacional. Condenações no STF podem levar à perda de direitos políticos e à prisão dos envolvidos, redesenhando o cenário político de 2026.
Com informações do Blog da Andréia Sadi
Foto Lula Marques – Agência Brasil