Uma projeção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu um alerta para o setor exportador brasileiro. Caso as novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos sejam confirmadas, mais da metade das exportações brasileiras para o mercado norte-americano poderá ser impactada por algum tipo de sobretaxa.
Segundo o estudo, 31,6% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos passariam a enfrentar uma tarifa de 37,5%, percentual muito superior aos atuais 10%. Outros 3,6% dos embarques seriam taxados em 12,5%.
As medidas foram sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório aponta supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano, citando temas como o sistema Pix, combate ao desmatamento ilegal, pirataria e questões ligadas à aplicação de leis anticorrupção.
De acordo com a CNI, as novas tarifas poderiam atingir diretamente 35,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Quando somadas às tarifas setoriais já existentes, aplicadas com base na Seção 232 da legislação americana, o percentual de produtos brasileiros sujeitos a sobretaxas pode alcançar 54,1%.
Entre os produtos que sofreriam maior impacto está o ferro-gusa, um dos principais itens exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano. Atualmente taxado em 10%, o produto passaria a enfrentar uma alíquota de 37,5%. Apenas em 2024, as vendas brasileiras de ferro-gusa para os Estados Unidos movimentaram cerca de US$ 1,5 bilhão.
Também aparecem na lista de produtos potencialmente atingidos pelo aumento tarifário açúcar de cana, sebo não comestível, álcool etílico e molduras de madeira. Já produtos como minério de ferro, silício, óleos essenciais de laranja e pasta química de madeira poderiam ser enquadrados em uma tarifa menor, de 12,5%.
Apesar da preocupação do setor produtivo, as medidas ainda não entraram em vigor. Antes de uma decisão definitiva, a proposta será submetida a consulta pública e audiências promovidas pelas autoridades norte-americanas.
O tema também deve estar na pauta diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião do G7, na França. O governo brasileiro trabalha para abrir um canal de negociação com os Estados Unidos e tenta evitar que as novas tarifas sejam implementadas.
Representantes do setor industrial avaliam que a adoção das medidas poderá reduzir a competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano e gerar impactos em segmentos estratégicos da economia nacional.
Fonte: g1 – Foto: Porto do Açu


