Especialistas alertam para o crescimento dos casos de esgotamento profissional no Brasil e destacam a importância da prevenção e do cuidado com a saúde mental.
A Síndrome de Burnout, considerada atualmente um dos principais desafios relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho, foi tema de uma roda de conversa promovida pelo Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), órgão vinculado à Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), na noite desta quinta-feira (18), em Campos dos Goytacazes.
O encontro reuniu empresários, profissionais e interessados no auditório da entidade para discutir os impactos do esgotamento profissional na vida dos trabalhadores e nas organizações. Participaram do debate a psiquiatra Dra. Lana Maria e a psicóloga Dayse Manhães.
De acordo com dados apresentados durante o evento, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas relacionados à Síndrome de Burnout, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil ocupa a segunda posição mundial em casos da doença, atrás apenas do Japão.
A presidente do CMEC, Maryá Nunes, destacou a preocupação crescente com o tema, especialmente diante das transformações no mercado de trabalho.
— O excesso de demandas, a pressão por resultados, a falta de reconhecimento e a cobrança constante têm levado muitos profissionais ao limite. É uma realidade que impacta não apenas o trabalhador, mas também a produtividade das empresas e a economia como um todo — afirmou.
Durante a palestra, a psiquiatra Lana Maria ressaltou que o Burnout é uma condição séria e que muitas vezes é negligenciada ou confundida com simples cansaço.
— Mais de 400 mil brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais nos últimos anos, e aproximadamente um terço desses casos está relacionado ao Burnout. O impacto econômico é enorme e ultrapassa R$ 46 bilhões por ano. Eu mesma enfrentei a síndrome e sei o quanto é difícil reconhecer que se está adoecendo. Não é frescura e nem falta de vontade — destacou.
A psicóloga Dayse Manhães chamou atenção para os desafios de identificação da doença e para a necessidade de reflexão sobre a qualidade de vida e os propósitos individuais.
— Vivemos em uma sociedade extremamente exigente. Muitas pessoas seguem caminhos que não escolheram e acabam se desconectando do que realmente lhes traz satisfação. Nos consultórios, recebemos pessoas esgotadas, mas que muitas vezes não conseguem responder o que as faz felizes. Esse é um alerta importante para todos nós — pontuou.
A Síndrome de Burnout é caracterizada por três fatores principais: exaustão emocional, sensação constante de esgotamento e perda de motivação ou realização profissional. Reconhecida pela OMS como um fenômeno ocupacional, a condição tem levado empresas e instituições a ampliarem o debate sobre saúde mental e bem-estar no ambiente corporativo.
O evento integra as ações do CMEC voltadas à capacitação, ao desenvolvimento humano e à promoção de temas relevantes para o setor empresarial e a sociedade.
Fonte: ACIC Campos


