O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campos dos Goytacazes (Sindivarejo), Joilson Barcelos, defende que a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1, em discussão no Senado Federal, inclua a possibilidade de negociação e flexibilização das horas extras.
Para Joilson, a discussão sobre a jornada de trabalho precisa considerar as transformações pelas quais passou a economia brasileira nos últimos anos, especialmente o crescimento das plataformas digitais de vendas, conhecidas como marketplaces.
Segundo o presidente do Sindivarejo, esses canais funcionam como plataformas virtuais que aproximam consumidores e vendedores e possuem uma dinâmica diferente do comércio físico tradicional.
Joilson também defende que os parlamentares avaliem a proposta apresentada originalmente em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes, levando em consideração o atual cenário econômico e as particularidades dos diferentes setores.
A posição é compartilhada pelo presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS), Leonardo Miguel Severini. Para ele, é necessário discutir uma alternativa que permita maior flexibilidade na organização das horas de trabalho, a exemplo do que ocorre em outros países.
Severini argumenta que mudanças na jornada precisam ser avaliadas também sob a perspectiva dos impactos econômicos para empresas e trabalhadores. Segundo ele, estudos citados pela entidade indicam que parte dos trabalhadores estaria menos favorável à mudança do que no início das discussões, diante da possibilidade de aumento de custos em diferentes serviços utilizados no dia a dia.
O setor de comércio e serviços representa cerca de 80% dos 22 milhões de CNPJs ativos no país, segundo os dados apresentados pelas entidades. Ainda de acordo com as informações divulgadas, aproximadamente 9 milhões de empresários estão inadimplentes.
Para os representantes do setor, a discussão sobre a escala 6×1 precisa considerar o cenário de juros elevados, endividamento empresarial e dificuldades para novos investimentos. A avaliação é de que a falta de mecanismos de flexibilidade na jornada poderia aumentar os custos de operação de empresas e serviços.
A proposta de alteração da escala 6×1 está entre os temas trabalhistas em debate no Congresso Nacional. O Sindivarejo defende que o texto seja discutido com participação dos setores produtivos e que eventuais mudanças considerem as diferentes realidades do comércio e dos serviços.
Fonte: Sindivarejo


