O descredenciamento do serviço de Oncologia do Hospital Dr. Beda junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro gerou preocupação entre pacientes, profissionais da saúde e gestores públicos do Norte Fluminense. A unidade é referência no tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atende atualmente cerca de 18 mil pacientes, incluindo moradores de Campos dos Goytacazes, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e outros municípios da região.
A principal preocupação é garantir que não haja interrupção nos tratamentos oncológicos, considerados essenciais para a recuperação e a sobrevivência dos pacientes.
A diretora do Instituto Nélia Almeida, Luciana Eccard, destacou que já existem relatos de dificuldades para o início de alguns tratamentos.
“Estamos acompanhando diariamente pacientes que enfrentam dificuldades para iniciar ou dar continuidade ao tratamento. No câncer, cada dia faz diferença. O paciente oncológico não pode esperar”, afirmou.
Até o momento, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela gestão da assistência oncológica de alta complexidade, não havia se pronunciado oficialmente sobre o descredenciamento.
Em nota, a Prefeitura de Campos informou que colocou em prática um plano de contingência para evitar desassistência. A estratégia prevê a redistribuição gradual dos pacientes para outras unidades habilitadas, como o Hospital Escola Álvaro Alvim e a Santa Casa de Misericórdia de Campos, além da transferência dos prontuários médicos para garantir a continuidade de consultas, quimioterapia, radioterapia e demais procedimentos.
Segundo a Prefeitura, o pedido de encerramento da prestação do serviço foi formalizado pelo próprio Hospital Dr. Beda há mais de três meses. Entre as justificativas apresentadas pela instituição estão dificuldades relacionadas aos mecanismos de financiamento público, em razão de sua natureza privada e da ausência de certificação filantrópica, além de questões envolvendo o imóvel onde funciona o setor de Oncologia.
O presidente da Fundação Municipal de Saúde de Campos, Arthur Borges, informou que o município busca, junto ao Governo do Estado, alternativas para garantir uma transição segura da assistência e assegurar que nenhum paciente fique sem atendimento.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela Defensoria Pública e pelo Juizado de Ações Cíveis, que monitoram as medidas adotadas para preservar o direito dos pacientes ao tratamento.
Além de Campos, prefeituras de municípios como São João da Barra e São Francisco de Itabapoana acompanham a situação, já que centenas de moradores realizam tratamento oncológico na unidade.
Em nota, a Prefeitura de Campos reafirmou que a prioridade é garantir a continuidade da assistência. “Todas as medidas estão sendo conduzidas de forma articulada entre os entes públicos, com foco na proteção dos usuários e na continuidade dos tratamentos”, informou.
Fonte: Assessoria / Prefeitura de Campos


