De joias milionárias e jantares em restaurantes estrelados a charutos cubanos, relógios de luxo e eventos exclusivos em Nova York, ex-governadores acumularam episódios que ficaram marcados na política fluminense.
Os anos passam, os governos mudam e os ocupantes do Palácio Guanabara se sucedem. Mas algumas imagens seguem vivas na memória política do estado do Rio de Janeiro. Nas últimas décadas, três governadores chamaram atenção não apenas por suas decisões administrativas, mas também pelo estilo de vida associado ao luxo e à ostentação.
Sérgio Cabral, Wilson Witzel e Cláudio Castro protagonizaram episódios que envolveram joias, restaurantes renomados, charutos cubanos, relógios de grife e encontros reservados a grupos seleto de empresários e aliados políticos.
Entre os três, Sérgio Cabral talvez seja o personagem mais associado ao universo do luxo. Além da famosa “farra dos guardanapos”, registrada em uma festa em Paris, investigações da Polícia Federal revelaram a aquisição de joias e relógios de alto valor para ele e sua então esposa, Adriana Ancelmo. Peças avaliadas em centenas de milhares de reais, presentes pagos por empreiteiros e viagens internacionais tornaram-se símbolos de uma gestão posteriormente marcada por condenações judiciais.
Outro episódio que ganhou repercussão foi a revelação de que Juquinha, cachorro da família Cabral, utilizava o helicóptero oficial em deslocamentos para Mangaratiba. Embora o casal tenha sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio pelo uso indevido da aeronave, a decisão foi anulada posteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça.

Já Wilson Witzel chamou atenção logo na posse, ao adotar uma faixa de governador inspirada na utilizada pelo presidente da República. A peça se tornou uma marca de sua breve passagem pelo comando do estado.
Mas o episódio que mais repercutiu foi a revelação do chamado “Clube do Charuto”. Segundo relatos e delações, encontros regulares promovidos pelo então governador reuniam empresários, aliados políticos e convidados em eventos reservados regados a charutos cubanos, vinhos e uísques. As reuniões aconteciam inicialmente no Palácio Guanabara e, em algumas ocasiões, também no Palácio Laranjeiras.
O atual ex-governador Cláudio Castro também teve seu nome associado a episódios envolvendo luxo. Um dos mais comentados ocorreu durante uma viagem a Nova York, quando participou de um jantar em um restaurante do chef turco Salt Bae, conhecido pelos pratos extravagantes. Entre eles, cortes de carne revestidos com folhas de ouro de 24 quilates.

Investigações da Polícia Federal apontam ainda a participação de Castro em encontros promovidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em eventos exclusivos realizados nos Estados Unidos. Um dos encontros teria reunido empresários e políticos em um tradicional clube de Manhattan conhecido pela carta de uísques e pelos charutos premium.
Além disso, relógios de marcas como Rolex e Cartier usados pelo ex-governador em compromissos públicos também chamaram atenção, com modelos avaliados em valores que ultrapassam a casa dos R$ 100 mil.
Embora em contextos distintos, os episódios envolvendo Cabral, Witzel e Castro ajudaram a construir imagens que extrapolaram o ambiente político e passaram a simbolizar diferentes momentos da história recente do Rio de Janeiro, marcados pela mistura entre poder, prestígio e ostentação.
Fonte: Tempo Real


