Comissão de Transportes da Alerj cobra informações sobre escadas rolantes e pede atenção aos débitos deixados pela antiga concessionária
O encerramento da concessão da SuperVia abriu uma série de discussões sobre as dívidas e as condições deixadas pela antiga operadora do sistema ferroviário do Rio de Janeiro.
Entre os principais pontos está um débito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo apuração do Tempo Real RJ, o valor atualmente discutido chega a R$ 1,9 bilhão. O banco, por sua vez, já havia informado oficialmente que cobrava da SuperVia uma dívida que, em 2024, estava em R$ 1,3 bilhão. O financiamento havia sido contratado pela própria concessionária.
A discussão agora envolve a responsabilidade pelo passivo após o fim da concessão. O BNDES defende uma solução para o débito, enquanto o governo estadual questiona a transferência automática da obrigação para os cofres públicos, segundo a reportagem.
Além da dívida com o banco, também são apontados débitos da antiga concessionária com fornecedores e empresas responsáveis por serviços de manutenção, peças e sinalização.
Comissão cobra informações sobre escadas rolantes
A situação da infraestrutura das estações também entrou na pauta da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O presidente da comissão, deputado Dionísio Lins (Progressistas), encaminhou nesta segunda-feira (21) um ofício à Trens Rio, atual operadora do sistema, solicitando informações sobre as escadas rolantes que estão fora de funcionamento em diferentes estações.
A empresa deverá informar quantos equipamentos estão parados, quais empresas são responsáveis pela manutenção, os valores dos contratos e quais medidas estão sendo adotadas para acelerar os reparos.
Segundo Dionísio, usuários de estações como Madureira e Méier enfrentam dificuldades com equipamentos sem funcionamento, especialmente pessoas idosas e com mobilidade reduzida.
O parlamentar também afirmou que, segundo informações recebidas pela comissão, somente em maio as dívidas da antiga concessionária com fornecedores diretos se aproximavam de R$ 15 milhões. A preocupação é que eventuais problemas financeiros deixados pela SuperVia não prejudiquem a manutenção e a operação do sistema atualmente administrado pela Trens Rio.
Segurança também preocupa
Outro ponto levantado pela Comissão de Transportes é a segurança nas estações e no entorno da malha ferroviária.
De acordo com informações atribuídas à própria Trens Rio, cerca de 14 estações estariam sob influência do crime organizado, enquanto a rede ferroviária atravessa áreas onde existem comunidades controladas por grupos criminosos.
A comissão avalia que questões relacionadas à segurança e à infraestrutura precisam ser acompanhadas pelo poder público para evitar impactos na prestação do serviço aos passageiros.
Caso a resposta da Trens Rio ao ofício não seja considerada suficiente, a Comissão de Transportes poderá solicitar a atuação do Ministério Público e avaliar a realização de uma audiência pública sobre as condições do sistema ferroviário.
A SuperVia permaneceu por 27 anos à frente da operação dos trens metropolitanos. A atual operação está sob responsabilidade da Trens Rio, administrada pelo consórcio Nova Via Mobilidade.
Fonte: Tempo Real RJ; BNDES; Alerj.



