A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), detido desde maio no âmbito de uma investigação que apura supostos desvios de recursos na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
A decisão foi tomada após a Polícia Federal apresentar novos elementos ao processo, incluindo mensagens e áudios atribuídos ao parlamentar que, segundo os investigadores, apontam para tentativas de intimidação e interferência política dentro da pasta.
De acordo com a investigação, Thiago Rangel teria enviado mensagens à atual secretária estadual de Educação, Luciana Calaça, em tom considerado ameaçador, após mudanças promovidas na estrutura da secretaria, principalmente nas diretorias regionais do Norte e Noroeste Fluminense.
A PF também reuniu áudios em que o deputado supostamente afirma ter controle sobre indicações políticas na região. Em uma das gravações divulgadas pela investigação, Thiago Rangel diz que deveria ser informado sobre tudo o que acontecesse na diretoria regional e reforça sua influência sobre cargos na área.
Outro conjunto de conversas obtidas pelos investigadores revela supostos planos para intimidar adversários políticos. Em diálogos com o assessor Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do parlamentar, são discutidas ações contra pessoas que estariam contrariando interesses do grupo.
Thiago Rangel foi preso no início de maio sob suspeita de liderar um esquema de direcionamento de obras em escolas estaduais para empresas ligadas ao grupo investigado. Segundo a Polícia Federal, os contratos fazem parte de um sistema de reformas escolares que movimentou mais de R$ 1 bilhão e é alvo de suspeitas de superfaturamento.
Ao se manifestar sobre o pedido de liberdade, a Procuradoria-Geral da República defendeu a manutenção da prisão, argumentando que há risco de continuidade criminosa e de interferência no andamento das investigações.
O entendimento foi acompanhado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Por meio da defesa, Thiago Rangel negou ter feito ameaças. Os advogados afirmam que as mensagens foram retiradas de contexto e sustentam que o conteúdo tinha caráter exclusivamente político. A defesa também reafirmou a inocência do parlamentar.
Fonte: g1
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