Documentos analisados pela PF e tornados públicos pelo STF mostram contatos entre o ex-banqueiro e número associado ao ministro; André Mendonça pediu manifestação da PGR e quer levar o caso ao plenário
Novos documentos da investigação sobre o Banco Master colocaram no centro do debate, nesta terça-feira (1º), mensagens trocadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com um interlocutor identificado nas conversas como Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O material foi analisado pela Polícia Federal e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Mendonça também solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre parte das mensagens e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que seja realizada uma sessão presencial do plenário para discutir os novos elementos da investigação.
As conversas, segundo os documentos divulgados, mostram Vorcaro buscando informações e relatando ao interlocutor questões relacionadas à situação do Banco Master e às investigações que atingiam a instituição.
Em uma das mensagens, divulgada nesta terça-feira, Vorcaro pergunta se deveria deixar o país antes de uma operação policial. Em outros diálogos, o banqueiro menciona a necessidade de buscar a atuação de pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo”, apontadas pela investigação como possíveis referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A PF também encontrou elementos relacionados a um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Contrato de R$ 131 milhões
De acordo com a análise dos metadados feita pela Polícia Federal, uma versão do contrato, que previa pagamentos de até R$ 131 milhões, teve alterações registradas em um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” no sistema utilizado para edição do documento. O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões durante 36 meses.
O escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso ao documento, mas apresentou outra explicação para a participação do ministro.
Em nota, a banca afirmou que seu setor de compliance consultou Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de eventual impedimento legal para a contratação. Segundo o escritório, como não havia previsão de atuação do ministro em processos relacionados ao Banco Master e Moraes jamais teria julgado causa envolvendo o banco, o contrato foi considerado possível e os serviços foram prestados.
O escritório também afirma que os serviços contratados estavam relacionados a programas de integridade e consultoria jurídica e estratégica em procedimentos policiais e administrativos.
O que está sendo investigado
A divulgação das mensagens não significa, por si só, que as suspeitas apontadas no material tenham sido comprovadas.
O que está em análise é se houve algum tipo de atuação indevida ou tentativa de influência sobre autoridades e investigações envolvendo o Banco Master. Entre os elementos considerados pela PF estão as conversas entre Vorcaro e o interlocutor identificado como Moraes, os contatos com outras autoridades e os documentos relacionados aos contratos do banco com o escritório da esposa do ministro.
A situação ganhou novo desdobramento nesta terça-feira depois que André Mendonça decidiu retirar o sigilo dos documentos e encaminhar parte do material para análise da PGR. O ministro também defendeu que os novos elementos sejam discutidos pelo plenário do Supremo.
Moraes já havia negado ser o interlocutor
O caso também envolve uma questão que permanece sob análise: a identificação do número que aparece nas mensagens.
Em março, o gabinete de Alexandre de Moraes havia negado que o ministro tivesse trocado mensagens com Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. Segundo informações divulgadas posteriormente, análises técnicas apontaram que alguns registros de contato não correspondiam ao número pessoal de Moraes.
Agora, os investigadores apresentam novos elementos, incluindo os metadados relacionados ao contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes e outras conversas encontradas no material apreendido.
O ministro Alexandre de Moraes não apresentou, até o momento, manifestação pública específica sobre todos os novos documentos divulgados nesta terça-feira. O escritório de sua esposa, por sua vez, mantém a explicação de que a participação do ministro na análise do contrato ocorreu para verificar possíveis impedimentos legais.
O caso continua sob investigação e deverá ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal, pela PGR e pelas autoridades responsáveis pela apuração do caso Banco Master.
Fonte: Polícia Federal, STF, Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Reuters – Foto: Banco Master



